segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Borboletas

Eu fico aqui pensando como eu me tornei tão dependente de você e de uma hora pra outra você decide que o melhor é sair da minha vida. Foi em meados de Junho que eu te conheci. Lembro como se fosse hoje, eu tinha acabado de chegar do show da sua banda e fui verificar no Facebook se tinha alguma página. Na verdade, estava interessada no vocalista. Descobri o perfil do vocalista da sua banda, daí foi fácil achar o da banda em si. Acho que não adicionei e esperei adicionarem por ter participado do evento em que vocês estavam. Fui adicionada e de repente, você me adicionou também. Primeira coisa que eu pensei: Quem é esse? Oxe, é o boy que Dani* gostou. Vou aceitar e vê no que dá. Quando eu percebi, já estava querendo você nos meus braços.
Fui adquirindo seus hábitos, manias e a gente foi se descobrindo a cada dia. Tinhamos tanta coisa em comum. Tanta história pra contar um ao outro. Ainda me espanto com tantas coincidências entre nós dois. Passei a ouvir mais Foo Fighters. Por ser uma banda em que eu tinha facilidade em gostar, terminei me viciando. Cada história que você me contava sobre você e sobre a banda, me fazia gostar mais. Hoje, passou a ser minha segunda banda favorita. É engraçado o fato de eu ter me entregue tanto e você também, mas o destino não deixou que a gente ficasse junto. Mesmo tão perto, estamos tão longe. Sempre algo acontecia e não podíamos sair mais. 
Dia desse, descobri que você não me queria mais por perto. Você não estava mais onde deveria estar. Meu coração apertou e ainda está apertado de saudade do seu jeito, das risadas que você me fazia dar, da sua voz, da forma com que você me fazia feliz. Não sei quando a gente se perdeu um do outro e se ainda vamos nos encontrar. Espero que o destino não seja mais tão traiçoeiro assim com a gente. Temos tanta coisa ainda para dividir, tantas coisas para compartilhar um com o outro que ficar longe não dá. Eu tento mesmo imaginar minha vida sem você nela, mas é super difícil. Às vezes acho que para você é a coisa mais fácil do mundo, em outras eu acho que você tá sufocando e se contorcendo de saudade, assim como eu. Meu desejo de que você se importe ainda é tão grande que nem seu desprezo tira da minha cabeça a possibilidade de você estar sentindo ainda a minha falta. Vou te esperar. Mesmo que eu esteja velhinha, vou te esperar. Você é importante demais para eu deixar que você se vá assim tão facilmente.


* Todos os personagens desse texto são meramente fictícios. Qualquer semelhança com a vida real, é mera coincidência.

domingo, 16 de outubro de 2011

(Des) apegar-se

Estou aqui, presa nessa sala, com as mãos cheias de sangue. Sangue que retirei de mim para te dar. Estou aqui, inteira ao seu dispor. Pra te mostrar quem eu sou e o que você fez de mim. Você só me observa de longe. Analisa cada passo meu, cada expressão e palavra. Não sei porque você me analisa tanto se nem sequer chega a se aproximar. Estou aqui. Sou sua serva. Use, abuse, rasgue e me faça implorar. Implorar para não sofrer mais, implorar por um sorriso, talvez até barganhar. Barganhar um instante de felicidade, uma lágrima recolhida, um coração vivo. Para você eu só sou uma marionete, que brinca-se um pouco e logo depois joga-se no canto porque outras marionetes mais evoluídas e mais satisfatórias apareceram. Sou a marionete que te conhece melhor, que te explora melhor e que te sente melhor. Mas não sou a que você quer. Sou descartável. Sou a marionete que sente tua falta e que faz de tudo para chamar tua atenção, inclusive matar. Por isso o sangue nas minhas mãos. Me sacrifiquei por você. Meu coração não vale nada sem você e você continua a me observar. Você continua com essa mania de ficar longe. Cada qual na sua sala. Eu na minha, você na sua. Eu presa, você livre. Sou sua escrava e talvez não queira alforria, porque talvez eu já esteja viciada nessa condição. Isso te satisfaz?

domingo, 9 de outubro de 2011

Baião de três - Parte 1.

Lá estava eu, sentada na praia à tarde, chorando. A praia estava deserta. Era litoral norte de São Paulo e eu não sabia o que fazer sozinha. Corri o máximo que pude até chegar lá. Não podia acreditar que aquilo estava acontecendo. O Joaquim tinha sofrido um acidente de carro no meio da nossa viagem e estava entre a vida e a morte. Lá no fundo, eu sabia que ele não resistiria. Parei, respirei e comecei a reviver todos os momentos que tínhamos passado juntos. Era incrível o poder que o Joca tinha pra me fazer rir e me fazer feliz, mesmo com toda aquela situação constrangedora por parte da Flávia.

A Flávia era minha melhor amiga. Antes de eu conhecer o Joca, ela o conheceu e foi amor à primeira vista. Ele fazia exatamente o tipo dela, branquinho, cabelo preto esvoaçante, altura mediana, óculos de nerd e o pior, tinha quase o mesmo gosto que ela para arte. É ai que eu entro. Eu era em segredo apaixonada pela Flávia. O problema é que ela é hetero demais pra mim e pra piorar mais ainda as coisas, nós temos o mesmo gosto pra tudo, tudo mesmo. Roupa, homens, perfumes, comidas, bebidas, livros, músicas, sexo.

Eu não sabia que as coisas aconteceriam do jeito que aconteceu. O Joca mora em São Paulo e a gente mora em Recife. Longe? Imagina! Apenas 2672 km de distância. Coincidentemente, ele tem uma família que mora aqui em Recife e vinha passar temporadas aqui, como feriados prolongados (Carnaval, São João, etc). Mas como, no meio de tanta gente, a Flávia conheceu o Joaquim?! Aí que está, ninguém consegue explicar como no meio daquele show de rock eles se conheceram e começaram a conversar. Ela se apaixonou, ele não. Como os dois moravam longe, mantiveram contato pela internet. Se falavam todos os dias, sobre o único assunto que é permanente na vida de alguém: Arte. É, como eu já disse, o Joaquim conhece muito sobre arte. Se você o conhecesse, iria ficar suspirando com o jeito que ele fala sobre isso.