domingo, 9 de outubro de 2011

Baião de três - Parte 1.

Lá estava eu, sentada na praia à tarde, chorando. A praia estava deserta. Era litoral norte de São Paulo e eu não sabia o que fazer sozinha. Corri o máximo que pude até chegar lá. Não podia acreditar que aquilo estava acontecendo. O Joaquim tinha sofrido um acidente de carro no meio da nossa viagem e estava entre a vida e a morte. Lá no fundo, eu sabia que ele não resistiria. Parei, respirei e comecei a reviver todos os momentos que tínhamos passado juntos. Era incrível o poder que o Joca tinha pra me fazer rir e me fazer feliz, mesmo com toda aquela situação constrangedora por parte da Flávia.

A Flávia era minha melhor amiga. Antes de eu conhecer o Joca, ela o conheceu e foi amor à primeira vista. Ele fazia exatamente o tipo dela, branquinho, cabelo preto esvoaçante, altura mediana, óculos de nerd e o pior, tinha quase o mesmo gosto que ela para arte. É ai que eu entro. Eu era em segredo apaixonada pela Flávia. O problema é que ela é hetero demais pra mim e pra piorar mais ainda as coisas, nós temos o mesmo gosto pra tudo, tudo mesmo. Roupa, homens, perfumes, comidas, bebidas, livros, músicas, sexo.

Eu não sabia que as coisas aconteceriam do jeito que aconteceu. O Joca mora em São Paulo e a gente mora em Recife. Longe? Imagina! Apenas 2672 km de distância. Coincidentemente, ele tem uma família que mora aqui em Recife e vinha passar temporadas aqui, como feriados prolongados (Carnaval, São João, etc). Mas como, no meio de tanta gente, a Flávia conheceu o Joaquim?! Aí que está, ninguém consegue explicar como no meio daquele show de rock eles se conheceram e começaram a conversar. Ela se apaixonou, ele não. Como os dois moravam longe, mantiveram contato pela internet. Se falavam todos os dias, sobre o único assunto que é permanente na vida de alguém: Arte. É, como eu já disse, o Joaquim conhece muito sobre arte. Se você o conhecesse, iria ficar suspirando com o jeito que ele fala sobre isso.

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