Lá estava eu, sentada na praia à tarde, chorando. A praia estava deserta. Era litoral norte de São Paulo e eu não sabia o que fazer sozinha. Corri o máximo que pude até chegar lá. Não podia acreditar que aquilo estava acontecendo. O Joaquim tinha sofrido um acidente de carro no meio da nossa viagem e estava entre a vida e a morte. Lá no fundo, eu sabia que ele não resistiria. Parei, respirei e comecei a reviver todos os momentos que tínhamos passado juntos. Era incrível o poder que o Joca tinha pra me fazer rir e me fazer feliz, mesmo com toda aquela situação constrangedora por parte da Flávia.
A Flávia era minha melhor amiga. Antes de eu conhecer o Joca, ela o conheceu e foi amor à primeira vista. Ele fazia exatamente o tipo dela, branquinho, cabelo preto esvoaçante, altura mediana, óculos de nerd e o pior, tinha quase o mesmo gosto que ela para arte. É ai que eu entro. Eu era em segredo apaixonada pela Flávia. O problema é que ela é hetero demais pra mim e pra piorar mais ainda as coisas, nós temos o mesmo gosto pra tudo, tudo mesmo. Roupa, homens, perfumes, comidas, bebidas, livros, músicas, sexo.
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